18 Şubat 2014 Salı

A política do segundo filho



Os chineses costumam planejar bem o seu futuro. Com a previsão de crescer 7,8% esse ano, o governo do país se antecipou em resolver um dos principais problemas que a China poderia ter a longo prazo: o decréscimo populacional. Na última reunião do Partido Comunista, os líderes decidiram por uma flexibilização na política do filho único, em vigor desde 1978. Desde então, os casais estão autorizados a ter um segundo filho sem pagar taxas ao governo caso um dos dois, o homem ou a mulher, não tiverem irmãos.
A política do filho único surgiu como estratégia para conter o crescimento do país que tem a maior população do mundo. Cálculos indicam que pelo menos 400 milhões de nascimentos foram evitados nesses últimos anos. As famílias que optavam em ter mais de um filho precisavam pagar para o governo 400 mil yuan – cerca de R$ 150 mil. Com o envelhecimento da população e a diminuição de nascimentos, o partido optou por prevenir do que remediar – só que ao contrário. A China terá que manter, nos próximos anos, uma população economicamente ativa para continuar crescendo. A liberação do segundo filho não altera de imediato a vida dos chineses, mas terá um impacto econômico e social nas próximas décadas.
O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, cedeu um momento em sua viagem à China para falar sobre a morte daquele que classifica como “o gigante mais importante do século passado”, Nelson Mandela.  “Ele, provavelmente, evitou uma das guerras civis mais sangrentas do século passado”, relatou Tarso aos jornalistas gaúchos que fazem parte da Missão na superpotência asiática.
“Mandela foi convidado a renunciar à luta armada e negociar sua saída da cadeia, mas disse: ‘Prisioneiros não renunciam a nenhuma forma de luta’”, comentou Tarso sobre uma das passagens históricas do ex-presidente da África do Sul. “Depois de dobrar seus carcereiros, saiu e comandou um processo pacífico de transição, essa é sua grandeza”, comentou o governador.
Tarso homenageou a grande capacidade de avaliação do líder mundial. “Seu legado é a capacidade política de comandar uma transição sem abandonar seus princípios e assumindo o poder de uma forma exemplar”, definiu.”Teve a capacidade de perceber uma revolução armada que iria jogar o país numa crise difícil de recuperar. A capacidade de vencer o racismo é o que caracteriza ele como gigante do século passado”, reforçou o governador.
A representação do governo do Estado em missão à China encaminhou acordo para a elaboração de projetos voltados à gaseificação do carvão mineral gaúcho. Em reunião com a Associação Nacional do Carvão – Certification and Accreditation Administration of the People’s Republic of China (CNCA) -, foi acertado o envio, pelo Piratini, de um termo de referência para elaboração de projetos na área carboquímica. A China detém o know how no setor, com menor impacto ambiental. Já o Rio Grande do Sul possui 90% das reservas de carvão do País.

As similaridades entre o carvão chinês e o mineral existente no município de Candiota serão fundamentais para a elaboração do estudo, que pretende dar o passo inicial na implantação de uma planta piloto no Estado. Com o domínio da gaseificação do carvão, abre-se a janela para o Rio Grande do Sul sediar um empreendimento em escala industrial no campo da carboquímica. O estudo será viabilizado com capital brasileiro e chinês.

O secretário de Infraestrutura e Logística do Estado, João Victor Domingues, destaca que o acordo é mais um passo na cooperação entre China e o Rio Grande do Sul, além de se estar alinhado à nova agenda ambiental mundial: “Esses projetos partem da premissa de adoção de novas tecnologias, com maior produção, menos custo e sem dano ambiental”.

A China não é a mesma de 30 anos atrás. Desde a década de 80, o país tem registrado os mais elevados níveis de crescimento econômico no mundo. A visão estereotipada do país – um grande bazar de R$1,99 que vende guarda-chuvas e quinquilharias ­– cai por terra logo nos primeiros passos por Pequim. Com mais de 20 milhões de habitantes, a capital chinesa está tomada por prédios gigantescos, envidraçados e com luminosos no topo.
O transporte público, em Pequim, demonstra eficiência. Há metrô e linhas de urbanas de ônibus – limpos e silenciosos – interligando a cidade. Pelo menos 9 milhões de pessoas utilizam diariamente o metrô para deslocamento. A passagem custa 2 yuan – o equivalente a R$ 0,80. Para possuir um automóvel – sinônimo de status no país – é preciso participar de uma espécie de loteria. Apenas 24 mil placas são sorteadas por ano. A falsificação, especialidade chinesa como admitem os próprios locais, serve para resolver esse tipo de “problema”. Há muitos carros rodando com placas falsas, segundo relatam alguns chineses.
Grande parte deles nada entende em outro idioma que não seja o nativo. Mas isso não os impede de tentarem sempre ajudar. Mesmo quando as perguntas são feitas em inglês, eles fazem um esforço para entender – e tentam elaborar a resposta mais simplificada possível, o que, em chinês, soa sempre complicado. O último recurso acaba sendo a mímica, apesar de a maioria achar graça da capacidade brasileira de se comunicar movendo as mãos. A comitiva do governo do Estado, no entanto, veio preparada: cinco intérpretes foram contratados para acompanhar o grupo nas diversas agendas.
O abismo cultural com o Brasil não impede um relacionamento amigável. Na China, os vasos sanitários seguem o estilo turco – é preciso se acocar para usá-los. A comida é bastante apimentada, em especial, as saladas. As sopas, gordurosas. Palitinhos (chamados de hashis) substituem talheres, e a cerveja é servida em temperatura ambiente. Nos restaurantes, há sucos quentes e um dos sabores mais comuns é o de milho. Nas ruas, uma confusão organizada: Todas as pessoas atravessam na faixa, mas ninguém gosta de fila.
Nos aspectos econômicos, Brasil e China se complementam. O país conta com as maiores reservas do mundo para investimentos, enquanto que o Brasil precisa de ajuda para desenvolver sua infraestrutura. Os chineses entendem de tecnologia, mas necessitam comprar cada vez mais insumos e matérias-primas. A pesquisa não é um ponto forte no Brasil, mas o agronegócio cresce cada vez mais. Existem também semelhanças: O Brasil tirou cerca de 40 milhões de pessoas da miséria na última década. Na China, o número é um pouco mais alto, também porque o país abriga cerca de 30% da população mundial: 300 milhões deixaram a miséria extrema nos últimos anos.
Outra das similaridades entre China e Brasil é o sorriso. Basta mostrar os dentes afetuosamente que a atitude de qualquer chinês será recíproca. Todos são extremamente simpáticos e adoram de conversar – mesmo que seja por mímica.

Governador Tarso Genro durante visita a fábrica da FOTON | Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini/CP
Em visita ao escritório central da Foton, empresa automobilística que decidiu em agosto montar fábrica no município de Guaíba, o governador Tarso Genro ofereceu incentivos para que, além de uma planta para a fabricação de caminhões, seja implantada a produção de carros no local. Ele destacou que no terreno há espaço para isso. ‘Essa visita visa não só a consolidar nosso relacionamento, mas a abrir novas possibilidades’, afirmou durante encontro com a diretoria da empresa chinesa na sede em Pequim. ‘O Rio Grande do Sul ainda não está saturado em capacidade industrial’, completou.
A Foton é considerada a maior empresa de fabricação de automóveis da China, possui nove fábricas no país e conta com cerca de 40 mil funcionários. O Brasil foi eleito pela empresa um dos cinco países estratégicos para investimentos, além de Indonésia, Rússia, México e Índia. O vice-presidente, Wang Xiangyin, estacou que a fábrica no Rio Grande do Sul encontra-se em fase de liberação da obra.
O encontro entre chineses e gaúchos durou cerca de uma hora. A sede da Foton está localizada no distrito de Changping, que pertence a Pequim. De um lado da mesa sentaram dez representantes da comitiva do governador gaúcho, entre eles os três deputados que integram a missão internacional – Marisa Formolo, Miriam Marroni e Raul Carrion. A reunião foi mediada por tradutores. Ao final, Tarso e Xiangyin trocaram presentes – o governador ganhou uma réplica em miniatura de um dos veículos produzidos pela empresa.
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro das Comunicações e, agora, presidente da Foton no Brasil, também presente no encontro, destacou que o início da construção da fábrica em Guaíba depende apenas da autorização da Fepam. ‘Temos promessa e convicção de que até 15 de janeiro teremos essa autorização’, afirmou. Ele disse ainda que a fábrica da Foton em Guaíba pode ser o início de uma parceria muito importante para o Estado. A diretoria da brasileira da Foton recebeu do governo federal a liberação para importar 8,5 mil caminhões sem IPI para montar sua rede de vendas e distribuição no país. O processo deve levar dois anos.

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